Sustento do Silêncio?
Esses dias me vi palavra,
espalhada em sons,
precipício de verbos,
tentando preencher o vazio.
Naquela conversa crua,
onde o olho despia a alma,
o silêncio caiu como véu,
e eu, nua, temi o abismo.
Sentenciei:
não sustento silêncios —
como quem foge do espelho
com medo de se ver.
Mas me sentei no silêncio.
Respirei o desconforto.
Quis romper o instante
com perguntas ansiosas:
“o que foi?”,
“por que me olha assim?”
E o "nada" veio como resposta
tão alta quanto um grito.
Objetivo atingido:
o barulho me salvava da vertigem.
A conversa se fez em suspiros,
em olhares que não queriam legenda,
em vontades que não cabiam em frases.
Levei à terapia, como se leva um sonho:
“eu não sustento silêncios...”
Mas ele, ele desafia o silêncio.
E eu me pergunto:
é o tédio que assusta?
ou o medo da pausa ser sinal de desamor?
Será que no fundo aprendi
que relações se gerenciam,
não se habitam?
Não sei.
Mas hoje,
ensaio ficar.
Sem palavras,
com a alma sentada
Junho/julho de 2025
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