Eu quero você

 Eu quero você 

não no sentido raso, pequeno, possessivo.

Quero você no sentido inteiro, no que quase escapa às palavras.


Quero o teu tempo, sem relógios, sem pressa!

Tempo, tempo, tempo....

Quero poder te tocar, te beijar,

acordar com o teu cheiro grudado na minha pele.


Quero tua pele, sim embrenhar em meio a minha.

Quero te olhar dormir, velar teu sono admirada

Quero poder de algum canto discreto do cômodo,

te observar simplesmente ser.

Estar.

Existir.


Quero adormecer contigo

Não por tédio,

mas porque perto de você

meu corpo entende o que é segurança.

Porque o silêncio contigo é confortável,

porque a tua presença me acalma sem esforço.


Eu quero você.

Não como quem prende, nem como quem toma.

(Embora eu confesse: o desejo de te dominar às vezes quase transborda.)


Quero você como quem desfruta,

como quem celebra,

como quem se entrega.


Quero ser e estar contigo,

no toque, no sossego, no desejo,

no intervalo entre uma respiração e a próxima.


Eu quero você 

inteiro, presente, livre.

E, mesmo assim, meu.

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